Já faz algum tempo que não escrevo e isso tem alguns motivos. Em primeiro lugar a esquerda realmente dá preguiça. Cansa combater sempre as mesmas bobagens. Além disso, como indivíduo capitalista opressor, preciso trabalhar para suprir as minhas necessidades pessoais.
Mas hoje acordei com vontade de comentar uma fala infeliz que tem me deixado com pena de quem repete o discurso já há algum tempo. Devido à recessão econômica é comum ver defensores de governos de esquerda, no caso do Brasil no momento especificamente os defensores do PT, usarem a fala “Não como PIB”, como forma de fuga, dando a entender que o índice é irrelevante. Até mesmo uma “economista” disse algo do gênero em uma reportagem do Globo em 2014:
Isso mostra como mesmo “intelectuais” (sempre entre aspas) se deixam enganar pelas estatísticas de curto prazo e não conseguem prever o desastre de certas políticas no longo prazo. O tempo já respondeu a essa economista, uma vez que o desemprego já ocorre e os brasileiros já mudam seus hábitos de consumo. Então sim, as pessoas comem PIB, e a redução do mesmo tem um gosto peculiarmente amargo.
Afirmar o contrário é particularmente estúpido por alguns motivos elementares.
O PIB é o um dos índices mais importantes, senão o mais importante, de uma economia, especialmente de um país ainda não desenvolvido (caso do Brasil), na medida em que demonstra o quanto a atividade econômica cresceu naquele determinado período de tempo e quanta riqueza foi gerada. É um termômetro importantíssimo que reflete um aspecto fundamental da economia, a produtividade. PIB em alta significa aumento de investimentos, aumento de renda, aumento de produtos e serviços em circulação. PIB retraindo significa, inexoravelmente, perda em todos esses aspectos
Alguém que afirme que não se come PIB está cometendo um equívoco grave uma vez que, com menos atividade econômica, menos empregos são gerados, empregos anteriores são perdidos e os que sobram tendem a receber menos ou a ter aumentos menores em seus rendimentos. Isso impactará no consumo dos dois lados – redução da capacidade de pagamento dos indivíduos (menor demanda) e redução do número e qualidade de produtos e serviços devido à negócios que vão a falência pelo baixo desempenho (menor oferta).
Em suma, é uma boçalidade afirmar algo do gênero. As pessoas comem PIB. As pessoas vestem PIB. O PIB tem relação com o quanto as pessoas podem comprar ou não, desde itens essenciais a itens supérfluos. O PIB tem relação com a cervejinha do final de semana, com o churrasco (ou a falta dele). Com a decisão de ir ou não ao restaurante. Com a opção por carne ou ovo. As pessoas dependem do PIB para todos os aspectos de sua vida prática moderna.
Afirmar o contrário é não entender nada de economia elementar.

