Os grandes teóricos liberais defensores do livre mercado costumam dizer que uma das características mais benéficas do capitalismo é a destruição criadora, que decorre do fato de que o próprio sistema de trocas voluntárias, continuamente, tende a selecionar os empreendedores mais aptos que conseguem agradar o consumidor com produtos e serviços inovadores (incentivam a criação) enquanto punem severamente os empreendedores que se acomodam e produzem algo aquém do desejável. Estes, em última instância, vão à falência. Em um mercado efetivamente livre, a falência não é uma crueldade moral contra o empreendedor, é apenas o sinal de que ele não teve condições de atender aos anseios daquela determinada população naquele determinado período de tempo. E isso é bom, visto que libera os recursos para serem utilizados por outros de maneira mais racional.
Já no planejamento central, característica dos governos coletivistas, o que costumamos enxergar é algo que vou chamar de criatividade destrutiva dos burocratas. Um grupo de indivíduos que acredita ser iluminado e saber o que é melhor para milhões de outros indivíduos se dá o poder de determinar para onde a economia deve ou não caminhar, o que ela deve ou não fazer e como isso deve ser feito. A destruição se dá por meio não apenas de interferência direta, mas principalmente por legislações tributárias governamentais e regulações (padrões pré-determinados, necessidade de licenças, alvarás). Outras criatividades destrutivas que já foram implementadas incluem congelamento de preços, controle arbitrário de taxas de juros, subsídios para determinados setores em detrimento de outros e por ai vai.
A destruição criadora é positiva pois é um processo lento que envolve múltiplas mentes além da do próprio empreendedor. Ela é causada principalmente pelo consumidor, que é quem detém em última instância o poder de decisão para comprar ou não um produto ou serviço. Já a criatividade destrutiva surge de forma unilateral, é imposta de cima para baixo, não leva em consideração as vontades e as possibilidades dos atores envolvidos.
Um exemplo de destruição criadora:
Impacto da Netflix no mercado de locadoras
Um exemplo de criatividade destrutiva:
Mudança no ICMS gera fechamento de um negócio por minuto
