Sempre que algo vai muito mal em algum país os governantes que estão no poder rapidamente se utilizam de um artifício bastante conhecido que é atribuir a culpa a um inimigo externo.
Nos governos populistas e de esquerda esse é, de longe, o mecanismo mais frequentemente usado. Esse inimigo utilizado como bode expiatório assume formas variáveis, e para isso vale tudo. Culpa-se os Estados Unidos, a CIA, o “capital financeiro”, o imperialismo, a mídia golpista, a elite branca de olhos azuis, a burguesia, a economia mundial.
Nunca se admite a culpa pelos atos (ou pela falta de atos) que eventualmente tenham levado à crise.
Ontem mesmo a presidente Dilma Roussef fez um pronunciamento longo, tentando atribuir o desempenho pífio da economia brasileira à uma tal de crise internacional que só existe na cabeça dela (afinal, alguns países vizinhos e até mesmo diversos países desenvolvidos como os EUA vão bem obrigado). Ao mesmo tempo, insinuou que os meios de comunicação estão ajudando a potencializar a ideia de que a crise seria pior do que a realidade. Em suma, culpou um inimigo externo ao governo.
Faltou, entretanto, um exercício simples de humildade para perceber o que fez de errado (gastou mais do que devia, inchou a máquina estatal ao mesmo tempo que investiu pouco em infra-estrutura, criou um ambiente de negócios instável política e juridicamente o que desestimula o empreendedorismo local e afasta o investimento externo).
Não admitir que o inimigo externo na verdade é o inimigo interno, é a própria forma como a nação é governada, pode fazer um país regredir imensamente. E é exatamente esse o momento que vive o Brasil.
