Justificando a mediocridade com mais mediocridade. Um hábito da esquerda.


Um texto recente me chamou a atenção, texto esse presente no site de esquerda ironicamente chamado Pragmatismo Político (ironicamente porque a esquerda é por definição pouco pragmática). O autor usou o título:

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Considerando o título, esperava-se que o autor apontasse algo alarmante que pudesse justificar de maneira coerente um número tão elevado de notas zero nas redações. Infelizmente, contudo, a argumentação foi pífia, o que é particularmente preocupante se formos considerar que o sujeito se apresenta como professor de língua portuguesa. A seguir transcrevo “o que a mídia não disse” sobre as notas zero:

1. Tirar nota zero não é sinônimo de não saber escrever. Nota zero é decorrência de, por algum motivo, o candidato descumprir a proposta. Eis os motivos para nota zero no caso do ENEM:

a) Fuga ao tema…

b) Escrever outro gênero textual que não fosse uma redação dissertativo-argumentativa…

c) Texto insuficiente: o ENEM ainda aceita textos curtos, a partir de 8 linhas (acredito que, no futuro, isso mude!). Ainda assim, alguns candidatos escrevem menos que isso e são eliminados, independentemente da qualidade da escrita. Isso se deve – ao contrário do que alguns podem pensar – não meramente à incompetência do candidato, mas ao nervosismo ou ao mau planejamento do tempo (é uma péssima ideia deixar a redação para o final!), embora também à pouca qualificação do candidato em alguns casos.

d) Cópia do texto motivador: alguns candidatos, por má intenção (ou ingenuidade mesmo), utilizam cópias dos textos motivadores na redação, o que os desclassifica do processo, mesmo que as partes não copiadas estejam bem escritas. Quando isso ocorre, não é possível medir se o candidato sabe ou não escrever, bem ou mal, pois o texto apresentado não é dele. O erro não foi de conhecimento, mas de conduta.

e) Fere direitos humanos…

f) Parte desconectada…

g) Outros motivos: sempre por vontade do candidato em ser desclassificado, por exemplo, fazer um desenho no lugar de uma redação.

Portanto, como dito acima, nota zero NÃO está relacionada à qualidade do ensino. Quando o sujeito tira nota zero, não é possível saber se ele aprendeu ou não algo na escola. Muitas vezes, dá para imaginar que ele não aprendeu nada na vida, pois tenta desqualificar um processo sério apenas para aparecer na mídia.

2. Por outro lado, podemos medir a qualidade dos candidatos a partir das notas obtidas. Neste ano, 4.438.176 obtiveram notas até 600 pontos na redação do ENEM, enquanto 1.226.014 alcançaram entre 601 e 1000 pontos. Esses são números a serem considerados para ver que o brasileiro precisa se qualificar muito ainda no que se refere à produção escrita. Todavia, é absurdo (com todo o respeito a quem pensa assim) atribuir essa nota à escola pública. Primeiro, porque esses números não separam ainda quem fez escola pública, quem fez escola privada, quem estava há anos sem estudar ou mesmo quem ainda não concluiu o Ensino Médio. Segundo, porque não se está levando em conta quem realmente se importou de estudar para a prova daqueles que sequer tenham buscado qualquer informação a respeito da redação do ENEM. Por exemplo, o ENEM considera como uma das cinco competências avaliadas a elaboração de uma proposta de intervenção para o problema levantado no tema, o que não costuma ser exigido em outros vestibulares tradicionais. Se o candidato não sabe disso, mesmo que a redação esteja boa, já inicia perdendo 200 pontos de sua nota, ou seja, passa a concorrer a apenas 800 pontos, dos quais serão feitos outros descontos necessários. Portanto, facilmente, estará abaixo de 600 pontos no final da avaliação.

3. Por fim, a mídia está desviando o real motivo de a maioria dos candidatos que receberam a nota zero: o tema. O problema é que o tema deste ano mexeu em um dos calcanhares de Aquiles dos poderosos da mídia: a reflexão sobre a publicidade infantil no Brasil. O tema é pouco discutido na sociedade, pois quem promove os espaços midiáticos de debate tem sistematicamente silenciado sobre esse assunto. O ENEM acertou na escolha do tema, mas, mesmo assim, a mídia não coloca isso em discussão e prefere acusar nosso sistema de ensino. Por que será? Bem, isso eu prefiro deixar para os comentários de quem teve paciência de ler até aqui.

Percebam que o indivíduo acha que enxergou uma grande contradição, mas na verdade a essência do problema é a mesma: falta qualidade no ensino, principalmente no público pois, das 500 mil notas zero, apesar de algumas possivelmente serem de alunos oriundos da escola privada, a maioria provavelmente é de alunos provenientes do ensino público.

Ao tentar argumentar que a mídia está errada ao dizer que o ensino público é ruim, ele cai em contradição evidente e admite que esses alunos  não sabem sequer escrever o que é solicitado por incapacidade de interpretar as normas para a elaboração do texto, que normalmente são expressas no próprio caderno de prova.

É ou não é fenomenal?

“A educação é boa. O problema são os alunos que não sabem interpretar o que é pedido e por isso produzem algo completamente diferente”.

Esquerda: impossível entender.

 

 

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