Como o “emcimadomurismo” ajuda a destruir valores fundamentais da civilização ocidental.


Em meio a (mais um) trágico ataque vindo de terroristas islâmicos na França e no Líbano, como de praxe não demorou muito para surgirem especialmente por parte da esquerda (mas não somente dela) aqueles que fazem o lamentável papel de defender os terroristas.

Há diversas linhas de discurso: os ataques seriam resultado da xenofobia, da pobreza e desigualdade, da islamofobia, da intervenção ocidental, entre outras canalhices. Evidentemente, como sempre, a retórica ignora os fatos, a França é um dos países mais abertos a imigrantes da Europa, grande parte dos próprios muçulmanos se isolam em guetos na França, Bélgica e Reino Unido por se recusarem a conviver com os “impuros”, muitos dos terroristas são de classe média ou até bastante ricos (como Bin Laden era), e os países islâmicos já eram radicais antes da intervenção ocidental, pois como bem colocou Flávio Morgenstern o Islamismo é uma religião expansionista por natureza, a separação entre Estado e religião simplesmente não existe no Islamismo e as leis da sharia são bastante rígidas com “infiéis e impuros”.  Mas o objetivo neste texto não é se aprofundar no islamismo (o texto de Flávio Morgenstern já fez isso com brilhante maestria).

A ideia aqui é apontar um comportamento perigoso que frequentemente surge não só na esquerda, mas até em parte dos opositores, que é a ideia de que é possível e necessário, dentro de um conflito complexo e com partes tão diferentes em disputa, adotar uma posição neutra, em outras palavras, ficar em cima do muro.

Talvez pelo medo da patrulha politicamente correta ou talvez somente pela própria canalhice que é característica precípua deles, muitos jornalistas, colunistas, articulistas, artistas e “formadores de opinião” em geral passam a julgar qualquer conflito com uma pretensa imparcialidade que existe somente em suas mentes, quando na verdade uma análise fria das motivações, das características e das ações dos participantes do conflito e dos fatos históricos pregressos já deixa claro qual lado tem razão e qual lado não tem. O “emcimadomurismo”, a necessidade de mostrar que esta analisando os dois lados e os tratando de forma igual é o veneno que faz com que indivíduos supostamente racionais tenham a cara de pau de virem a público defenderem assassinos. “Eles são terroristas, MAS foram provocados…”, “Eles são bandidos, MAS eram pobres…”, “Eles discriminam, MAS seus tataravós foram discriminados…”. A palavra “MAS” está sempre presente nestes textos, pois a necessidade de parecer imparcial e neutro, de ficar em cima do muro, é o que rende mídia e cria uma ideia de um ser superior e preocupado com a humanidade. O grande problema desse comportamento é que é um comportamento completamente estético (eu preciso parecer neutro) mas muito pouco ético e racional.

Quando se fala em conflitos entre Israel e Palestina ou conflitos entre os terroristas islâmicos e as nações ocidentais, os próprios conceitos morais fundamentais são conflitantes entre as partes. Para um lado é válido matar em nome de Deus, para o outro lado não. Para um lado Estado e Igreja são indissociáveis, para outro não. Para um lado não existe liberdade fora das escrituras, para outro não. Para um lado mulheres precisam seguir um guia rígido de comportamento, para outro não. Para um lado gays e adúlteras devem ser apedrejados ou mortos, para outro não. Não há qualquer cabimento em tentar, portanto, julgar o lado de lá com valores que temos do lado de cá porque eles não tem esses valores, eles valorizam outras coisas. Ao ficarem em cima do muro, ao darem direito de resposta, ao relativizarem crimes bárbaros com explicações pueris e ao tentarem pregar a inclusão e a paz entre povos tão distintos os emcimadomuristas estão dando um tiro no próprio pé, pois ironicamente estão utilizando valores morais seus para defender outros valores que são inversos e conflitantes.

O ocidental que, em nome da “liberdade, da pluralidade e da separação entre igreja e Estado” aceita um grupo que é radicalmente contra a liberdade, a pluralidade e a separação da igreja e Estado está, por uma mera questão de lógica, plantando a semente que vai destruir os valores que ele diz tanto prezar. Dai a importância de não ficar em cima do muro, de ter uma bússula moral, de saber distinguir o que é o melhor do que é pior. E, caso não exista o que é melhor, que se escolha o menor dos males. O que não deve ser feito, sob pena de perdermos os valores que prezamos tanto, é permitir que pessoas que não compartilhem estes valores e na verdade tenham valores diametralmente opostos sejam tratadas com equivalencia.

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