O começo de ano já nos brinda com piadas prontas por parte do governo, como já era de se esperar.
Poucos dias depois.
Ao mesmo tempo em que adota o slogan “Brasil, pátria educadora”, o governo realiza cortes de 7 bilhões na educação e de 1 e meio bilhão na ciência e tecnologia. Nada mais antagônico.
Para completar a tragédia, o novo ministro da educação Cid Gomes (cuja experiência na área se desconhecia até então), garante que o corte não prejudicará em nada a educação no país.
Essa é a declaração mais interessante a meu ver. Se o ministro diz que dá para tirar 7 bilhões da educação sem que se afete em nada a qualidade da mesma, a pergunta que não consigo deixar de fazer é: para que, então, eram utilizados esses 7 bilhões? E por qual motivo não foram cortados antes? Evidentemente, faziam parte da complexa máquina pública, com fluxos e funcionários desnecessários em muitos setores, cargos comissionados para companheiros políticos ou parentes ou talvez até mesmo fossem desviados para participar de caixas 2 ou 3 de determinados partidos.
E as perspectivas para a educação pública nos próximos anos?
Se formos considerar o fato de que Cid Gomes já disse que professor deve trabalhar por amor não por dinheiro, já é possível imaginar para onde iremos caminhar. Não me impressionarei se o ministério alegar falta de profissionais e começar a importar professores cubanos, pagando ainda menos do que já paga para os professores brasileiros.
Em meio a essa situação inusitada, não é possível deixar de lembrar, também, do tom de jocosidade com o qual Ciro Gomes, irmão de Cid Gomes, questionou o economista Rodrigo Constantino em um debate há alguns anos atrás, dizendo que não era possível para o governo fazer cortes no orçamento suficientes sequer para economizar um bilhão. Veja vídeo abaixo:
Pelo visto, não só “dá bilhão” como dá muitos bilhões.
Em tempo, antes que alguém fique em dúvida, sou defensor do corte de gastos públicos e de um Estado pequeno. O enxugamento da máquina é essencial e inevitável, especialmente após os últimos anos de gastança do governo e completo descontrole das contas públicas. É preciso apertar os cintos. Só acho interessante as contradições que o governo produz. E acho uma pena que esse corte seja feito em duas áreas que ainda são tão deficientes no país: educação e inovação.



