Imagine que você é solteiro e mora sozinho. Durante anos você não cuida direito de casa, não limpa o chão, faz buracos na parede. Nas finanças pessoais, gasta demais, estoura o cartão, usa cheque especial. Sai com os amigos para lugares chiques todos os dias.
De repente você se casa e sua esposa vai morar contigo. Ela por obra do acaso é uma economista e também muito organizada. A esposa percebe que esse lar não se sustentaria a não ser com reformas estruturais profundas e com uma mudança no estilo de vida visando poupar para pagar as dívidas. Assim, começa a cuidar da casa com uma reforma dolorosa. Durante essa reforma você vai ter que gastar muito menos, deixar de sair com amigos, enfim, ser mais responsável.
As reformas se iniciam. Após alguns dias seus amigos pessoais começam a perceber que você não vai mais para os lugares chiques nem gasta tanto quanto antes. Ao responder os amigos, você diz: é culpa da minha esposa !!! Ela está adotando medidas que pioram a minha qualidade de vida.
Perdoem a vinheta longa, só quis mostrar como soaria ridícula a situação acima.
A culpa da “recessão” do rapaz do exemplo não é da esposa, e sim da irresponsabilidade dele durante anos. A esposa, na verdade, está tentando tira-lo da lama. Mas para isso é preciso um processo doloroso de readaptação.
A mesma coisa acontece no momento com Joaquim Levy, ministro da economia. Mas com uma diferença fundamental: o PT o colocou lá de propósito para depois utiliza-lo como bode expiatório.
Vejam amostra de uma reportagem extraída do site governista Brasil 247.
Percebam o tom do texto e a armadilha que estão preparando.
Quando a recessão e o desemprego chegarem (e vão chegar) culparão Joaquim Levy, quando na verdade as causas que geraram essas consequências são muito anteriores e decorrem de anos de uma política econômica que estimulou artificialmente o consumo sem estimular o produção, gastou mais do que devia, falhou em melhorar a infraestrutura, criou um ambiente de insegurança política e jurídica que estimulou a fuga de capitais e dificultou a atração de novos investidores além de reduzir a competitividade. O baixo índice de desemprego não vai se sustentar pois está apoiado em pilares muito frágeis.
Os petistas e seus jornalistas aliados rapidamente farão de Joaquim Levy o bode expiatório de todos os problemas da economia brasileira, como se houvesse “Governo Levy” e não “Governo Dilma”. O acusarão de ser o “neoliberal” que veio acabar com o “ciclo vitorioso” da economia. É o preço que Levy pagará por ter aceitado entrar em um barco que afundaria de qualquer forma.
Em tempo, importante ressaltar que apesar de muitas medidas de Joaquim Levy serem positivas, em especial os cortes de gastos públicos anunciados, outras medidas como aumento de impostos são bastante “anti-liberais”.
Só resta aos brasileiros a ajuda de Deus ou do acaso.

